O município de Divina Pastora, com população de 5.138, é composto por 02 (duas) Equipes de Saúde da Família, sendo uma na Sede, outra na zona rural e 03 (três) Unidades Básicas de Saúde. Com a chegada da pandemia, em março/2020, a Gestão Municipal, em virtude da facilidade de acesso, elegeu a Unidade de Saúde localizada na Sede, como a Referência, com duas salas específicas para os atendimentos dos casos suspeitos e/ou confirmados por Covid-19. Mesmo assim, havia risco a saúde dos trabalhadores e da população, pois havia cruzamento do vírus na Unidade, onde todos os serviços continuavam concentrados no mesmo espaço físico além dos atendimentos dos pacientes acompanhados pela ESF. Nem a população, nem os profissionais compreendiam com clareza o fluxo de atendimento. Assim sendo, vislumbrou-se a necessidade de se ter um fluxo definido com processos de trabalho organizados e distintos, para que tivéssemos resultados satisfatórios tanto para a população, quanto para os profissionais. Diante disso, a Gestão Municipal sentiu-se motivada a modificar a dinâmica dos atendimentos, a discutir coletivamente os fluxos, de modo que os processos de trabalho das Equipes não fossem prejudicados, e os pacientes Covid, pudessem ter sua privacidade garantida, atendimento e acompanhamento seguros pela equipe exclusiva, sem perder o vínculo com a Estratégia de Saúde da Família.
Objetiva relatar como se deu a organização dos processos de trabalho da Estratégia de Saúde da Família no município de Divina Pastora/SE e a definição dos fluxos de atendimento aos pacientes suspeitos e/ou confirmados para o Covid-19.
Realizadas 04 (quatro) reuniões com as Coordenações de Atenção Primária, Vigilância em Saúde, Gerentes das Unidades de Saúde, Enfermeira Responsável Técnica pela Unidade Referência, onde foi possível fazer o levantamento das dificuldades dos profissionais das Equipes de Saúde da Família na organização dos processos de trabalho durante a pandemia no que concerne a Estratégia de Saúde da Família - ESF e aos atendimentos aos suspeitos e/ou confirmados para o Covid-19. A Equipe da Unidade Referência, se deparou com a dificuldade na definição do fluxo de atendimento, e não sabia ao certo, o que deveria ser priorizado, se a ESF ou o Covid, tudo no mesmo espaço físico, dividido apenas por uma recepção. A construção dos fluxos foi feita de forma coletiva, pois precisariam ser diferenciados, em virtude do crescimento do número de casos. Eram duas salas específicas para este fim e os profissionais da ESF eram convocados quando necessário. Definidos os fluxos, os Agentes de Saúde eram responsáveis em recepcionar os pacientes, aplicar um questionário e encaminhá-los a sala de isolamento, nesta sala, o paciente era acolhido por um Auxiliar de Enfermagem, que verificava os sinais vitais e acionava a Enfermeira e/ou o médico para atendimento. Necessário realizar o teste rápido, o paciente se deslocava para a outra sala, colhia o sangue, recebia o resultado e era liberado com as devidas orientações de isolamento e monitoramento durante 14 dias. Tudo registrado em Prontuário Eletrônico.
Com a disponibilização de um espaço físico adequado (contêineres climatizados e totalmente equipados, com conforto e segurança), a organização de fluxos e processos de trabalho, pode-se acompanhar o retorno às atividades preconizadas pela Estratégia de Saúde da Família, sem perder o foco no Covid-19, não mais com o protagonismo dos profissionais da Estratégia, mas com o compromisso e responsabilização pelos pacientes residentes na área adscrita, após alta clínica realizada pela equipe exclusiva para o Covid-19. Houve também, a definição dos fluxos assistenciais, a elaboração e implementação de Protocolos Clínicos, que passaram a garantir a integralidade do cuidado pelo novo Coronavírus, foi estabelecido fluxograma de acolhimento e encaminhamento à Rede de Urgência e Emergência, fluxograma de acompanhamento e monitoramento domiciliar dos casos leves com indicação de isolamento, capacitações para os profissionais, orientações e conscientizações através das redes sociais e meios de comunicação para a população, a garantia da manutenção das atividades preventivas e curativas essenciais à Estratégia de Saúde da Família, a satisfação e entendimento por parte da população.
O relato da experiência evidenciou que o município de Divina Pastora/SE, com apenas 5.138 habitantes, mesmo diante de uma pandemia, conseguiu reestruturar e reorganizar os processos de trabalho da Estratégia de Saúde da Família, fortalecendo assim, as práticas do cuidado, com resolubilidade das demandas voltadas a Atenção Primária à Saúde, assim como teve a possibilidade de contratar profissionais específicos (médicos e Enfermeiro) para o atendimento ao Covid-19, definir fluxos assistenciais voltados aos casos suspeitos e/ou confirmados, planejar, realizar avaliações periódicas das ações/atividades que estão sendo desenvolvidas tanto pela ESF, quanto pela Equipe Covid, buscando sempre o avanço no cuidado e a satisfação do usuário.
processos de trabalho da Estratégia de Saúde da Família, Definição de fluxos assistenciais de atendimento para o Covid-19.