Lençóis Paulista está localizada no Centro-Oeste Paulista, com uma população estimada em 68.432 pessoas (IBGE, 2020). No âmbito da saúde o município possui, em nível primário, duas Unidades básicas de saúde (UBS) e 16 equipes de saúde da família. A atenção básica foi responsável por 92.586 consulta médicas durante o ano de 2019, sendo 15% eletivas e 85% de demanda espontânea. Com a decreto de Decreto Legislativo nº 6, de 20 de março de2020 que reconheceu o estado de calamidade pública no Brasil, o município sentiu a necessidade de reorganizar o fluxo de atendimento da Atenção básica, levando em consideração a lei 8.080/90 e suas diretrizes em especial a equidade.
OBJETIVO GERAL Descrever a importância do planejamento, articulação e execução de estratégias em rede para manter a qualidade de atendimento, mesmo em período de pandemia. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Compartilhar experiência exitosa na reorganização do serviço de atenção básica durante a PANDEMIA de CORONAVIRUS Dissertar o êxito da estratégia realizada Ressaltar o baixo custo das estratégias Descrever a importância do planejamento, estratégia e articulação no serviço de saúde.
Com um fluxo claro, objetivo e ampla divulgação iniciamos o atendimento via telefone em 23 de março de 2020, duas unidades de saúde atenderiam exclusivamente pacientes com Síndrome gripal, o intuito era diminuir a exposição dos usuários e dos funcionários. As unidades de Síndrome gripal foram escolhidas de maneira estratégica dentro do município, para que os usuários não precisassem se deslocar muito para ser atendido. Os pacientes de demanda espontânea com outras queixas eram direcionado para a unidade mais próxima da sua residência, independente da área de abrangência da unidades. Separamos uma unidade de saúde para atender todos os recém nascidos, realizar BCG e teste do pezinho, diminuindo a exposição de bebês e puérperas a outros pacientes. Os grupos de HiperDia foram suspensos, e passou-se a realizar tele atendimento, um auxiliar de enfermagem da unidade ligava para os pacientes agendados caso o paciente apresentasse alguma queixa era agendado um horário para atendimento, quando o paciente não possui queixa sua receita era renovada e ele era orientado a solicitar que um familiar viesse até a unidade buscar sua prescrição, as gestantes permaneceram com agendamento, porém com horários mais espaçados para que nunca houvesse mais de uma gestante aguardando, as unidades que atendiam exclusivamente síndrome gripal repassaram suas agendas para as unidades próximas, para não haver prejuízo ao paciente e diminuir a exposição.
Até o dia 24 de julho de 2020 o município de Lençóis Paulista contabilizava 5.857 atendimentos médicos em unidades básica de Síndrome Gripal, 1.711 casos positivos de Coronavirus e 32 óbitos. Nas unidades de “queixas agudas” foram 7.685 atendimentos médicos no mesmo período. Tivemos vários profissionais contaminados, porém em períodos alternados, o que colaborou para que não houvesse prejuízo no atendimento. Com a população orientada através dos canais telefônicos sem a necessidade de deslocamento desnecessário houve um estreitamento no vinculo unidade de saúde e usuário. Foi possível continuar oferecendo atendimento aos usuários, porém, preservando-os de uma exposição desnecessária. OS protocolos são atualizados com frequência, e ajustes são realizados sempre que necessário. Todos os profissionais envolvidos entendem que esta é uma situação passageira, porém necessária. Algumas estratégias de atendimento como o teleatendimento, a disponibilização de prescrição de repetição via telefone e com agendamento para retirada, agregaram valor ao atendimento da unidade pois otimizou o tempo dos usuários e da unidade, provavelmente estas estratégias permaneçam.
Acreditamos no êxito da estratégia pois como os números mostram 1,9% das pessoas contaminadas vieram a óbito no município de Lençóis Paulista, se contrapondo a média do Brasil que é de 3,6% até o momento. Criar um canal de comunicação único ajudou para que a informação chegasse ao usuário sem ruídos, melhorando a comunicação nos momentos em que era necessário realizar mudanças na estratégia. Ter unidades básicas atendendo de forma exclusiva pacientes com Síndrome Gripal ajudou a diminuir a exposição de funcionários e pacientes. Nas unidades de Síndrome gripal todos os funcionários treinaram exaustivamente a paramentação e desparamentação e os cuidados na desinfecção das unidades foram redobrados, resultando num baixo número de afastamentos por contaminação de colaboradores. Os médicos e enfermeiros treinaram seu olhar para sinais de alerta, encaminhando precocemente o paciente em caso de agravamento do quadro. Concluímos que planejar e articular são estratégias fundamentais para alcançar sucesso e qualidade no atendimento dos usuários nos serviços do SUS.
SUS, Pandemia, Atendimento, Atenção Básica