No cenário atual de isolamento social decorrente da epidemia de COVID-19 e a necessidade conciliar as demandas da pandemia com a continuidade da prestação dos serviços de saúde que atenda às necessidades da população, fez com que a gestão da secretaria municipal de saúde de Lagoa do Barro do Piauí pensassem um novo modo de prestar serviços inadiáveis, dentre eles, o pré-natal em casa, a fim de proporcionar às gestantes o direito de acompanhar sua saúde e a de seu bebê, reduzindo-se ao máximo seu deslocamento até as unidades de saúde, locais considerados vulneráveis e de alta exposição à contaminação do novo coronavírus. O trabalho inovador foi contingenciado por conta da pandemia e realizado pela equipe de enfermagem da UBS João Bosco Siqueira Dias contemplando todas as gestantes do município, aplicando o protocolo estabelecido pela rede cegonha, além de garantir segurança e comodidade às gestantes da área de atuação.
Realizar consultas de enfermagem à gestante em domicílio, a fim de assegurar a assistência ao pré-natal, visando a preservação da saúde da gestante e seu bebê durante o ciclo gravídico-puerperal em período de pandemia.
O trabalho foi desenvolvido a partir da visita e do agendamento de mulheres grávidas pelos agentes comunitários de saúde (ACS). A partir da visita, os ACS orientavam o novo fluxo: ao invés de agendar e orientar a consulta de pré-natal na unidade de saúde, agendavam, mas na própria residência da gestante, resultando melhor comodidade e restringindo seu deslocamento ao máximo para evitar exposição ao risco de infecção pelo COVID-19. A partir do agendamento, a equipe passou a organizar o cronograma de atendimento e realizar o pré-natal em casa de todas as gestantes do município. O período de consultas foi de maio a julho de 2020 e constituiu de: visitas domiciliares, consultas de enfermagem abrangendo aspectos gerais abrangendo os seguintes procedimentos: DUM, DPP, IG, PESO, ALTURA, IMC, PA, AU e BCF. Foram utilizados os seguintes materiais: disco gestacional, balança, fita métrica, calculadora, tensiômetro, estetoscópio, sonar doppler, gel para ultrassom, papel toalha, papel lençol, álcool gel, luvas, máscaras, gorro, propés, capote e óculos de proteção. Apenas os exames laboratoriais da rede cegonha e ultrassonografia gestacional, foram solicitados, agendados para serem feitos na UBS, por não serem possíveis serem realizados em domicílio. E para otimizar a presença da gestante na UBS, a mesma passava pela sala de vacina, pela farmácia para receber sulfato ferroso e ácido fólico e ao CRAS, onde recebia o kit enxoval.
Durante a realização desse trabalho foram acompanhadas em torno de 50 gestantes, fora as puérperas, em torno de 13 por mês, correspondendo cem por cento de todas as mulheres que estavam grávidas no mencionado período. As gestantes com risco habitual foram avaliadas com duas consultas de enfermagem no domicílio e um agendamento de consulta médica feita na UBS. Das nossas gestantes, três apresentaram hipertensão arterial, foram tratadas e acompanhadas pelos médicos na atenção básica, sete tiveram infecção urinária, algumas delas recorrente, sendo que as mesmas foram encaminhadas para os médicos na atenção básica e algumas delas para maternidade de média complexidade, duas eram portadoras de problema renal e foram conduzidas da mesma forma. Três apresentaram sangramento na gestação, sendo encaminhadas para maternidade de média complexidade, para avaliação e conduta médico hospitalar. Uma teve parto prematuro, a mesma foi encaminhada para maternidade de alto risco (MDER). Uma, portador a de problema cardíaco e macrosomia fetal, foi encaminhada para maternidade de média-alta complexidade e por fim, entre vários outros problemas tivemos uma cuja criança apresentou hidrocefalia, problema no tronco cerebeler e oligodrâmio, a mesma foi encaminhada para maternidade de alto risco. Todas elas eram informadas sobre os serviços oferecidos pelo município, assim como as maternidades de referência de média e alta complexidade.
O planejamento e organização dos processos de trabalho foram determinantes para a realização deste trabalho inovador e exitoso. Embora convivendo com a intensa carga viral do COVID-19 no município, buscou-se alternativas e conseguiu-se manter a continuidade da assistência pré-natal de todas as gestantes do município, onde todas concluíram a fase de gestação, com bebês saudáveis e sem que nenhuma contraíssem pela pandemia. Este trabalho resultou ainda na preservação da vida, já que no período não ocorreram nenhum óbito materno, fetal ou infantil.
Pré-natal em casa, pandemia, equipe saúde da família, SUS.