A infecção humana pelo novo Coronavírus (COVID-19) foi considerada pela OMS como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional e posteriormente caracterizada como uma pandemia. Em 03/02/2020, o Ministério da Saúde declarou Emergência em Saúde Pública de importância Nacional. Por se tratar de uma emergência epidemiológica, com introdução de um vírus inesperado e risco de disseminação rápida no território, os municípios precisaram planejar estratégias para enfrentamento da pandemia incluindo as ações de educação em saúde como potente ferramenta para prevenção e controle. O município de Palmeira dos Indios conta com populações tradicionais indígenas compostas de 09 aldeias, sendo 1699 aldeados e 1974 em logradouros. De acordo com o MS, educação em saúde é o processo educativo que envolve as relações entre os rofissionais de saúde, os gestores que apoiam esses profissionais e a população que necessita construir seus conhecimentos e aumentar sua autonomia nos cuidados individual e coletivamente. A COVID-19 é entendida como uma condição que exige uma mudança de comportamento das populações, sejam elas indígenas ou não, pois apenas através dos cuidados preventivos é possível reduzir drasticamente os números de infectados e impactar positivamente no resultado de uma Pandemia. Os resultados positivos das ações desenvolvidas junto aos povos tradicionais motivaram a elaboração desse trabalho.
Reduzir o número de casos de COVID-19 entre os indigenas Xukuru Kariri bem como evitar complicações da doença através da disseminação de informações nas ações de educação em saúde.
A necessidade de desenvolver ações educativas nas aldeias indígenas sobre a COVID-19 partiu do grande número de índios com sinais e sintomas da doença. Era preciso intervenções mais específicas a fim de reduzir o número de infectados, minimizar os danos causados e evitar óbitos. Primeiramente foram realizadas reuniões com a Equipe Multidisciplinar de Saúde Indígena para definir a forma de trabalho, ações a serem desenvolvidas e público alvo em seguida reunião com as lideranças de cada comunidade a fim de explicar o trabalho da EMSI no enfrentamento à Pandemia e solicitar apoio. A equipe se dividiu em grupos para realizar visitas domiciliares, palestras e acolhimento nas 9 aldeias também foram realizadas Barreiras Sanitárias e Visitas das Equipes Volantes disponibilizadas pela Prefeitura Municipal. Através dessa parceria um carro de som orientou a comunidade sobre a prevenção. Durante as visitas, os profissionais estavam paramentados com máscara N95, gorro, luvas, avental e viseiras. Também evitavam adentrar nas casas, as conversas eram na porta, na rua, ou em local aberto mantendo o distanciamento social e repassando todas as informações sobre o que é a doença, como prevenir, possíveis complicações, o que é o isolamento e o distanciamento social, necessidade de lavar as mãos e utilizar álcool em gel, evitar aglomerações, notificar casos suspeitos e confirmados e usar as máscaras caseiras, doadas pela comunidade Cáritas e SMS para distribuíção à população.
A partir da implantação das ações de prevenção à COVID-19 dentro das comunidades indigenas foi possível identificar casos suspeitos para notificação, bem como verificou-se uma melhora significativa no nível de entendimento dos índios sobre o cenário atual da Pandemia da COVID-19. Foi importante perceber que antes dessas ações, muitos deles, principalmente os mais idosos e sem acesso às mídias sociais, ainda estavam alheios e descrentes sobre a Pandemia, chegando a se referir à doença como: “aquela doença que passa na TV” quando dentro da própria aldeia já havia casos confirmados. A partir das orientações feitas pela EMSI houve um maior engajamento e preocupação quanto aos cuidados que deveriam ser tomados na prevenção e controle e isso resultou na diminuição e melhor condução dos casos de COVID-19. Foram visitadas 630 casas e distribuídas 4.000 máscaras.
Concluiu-se que, as ações de educação em saúde são imprescindíveis para prevenção e controle de doenças e agravos. O trabalho realizado trouxe elementos para melhorar a compreensão dos indígenas quanto a COVID-19, possibilitando a redução na ocorrência decasos e consequente complicações da doença. O sucesso da ação aponta para a necessidade de desenvolvimento de estratégias que, na rotina dos serviços minimizem outros problemas de saúde. A parceria com a Secretaria Municipal de Saúde foi importante para otimização no uso dos recursos existentes para o setor saúde.
Saúde Indígena. Pandemia. Educação em Saúde. Coronavírus