Se trata de uma experiência que foi realizada na UBS Vila Dayse, no município de São Bernardo do Campo. O enfrentamento da pandemia do COVID-19 faz parte das funções essenciais da Saúde Pública por meio de ações voltadas para a população ou para grupos com maior risco de contaminação, como os profissionais de saúde. A pandemia mundial causada pelo novo corona vírus, vem gerando mudanças nas rotinas familiares e do trabalho, principalmente dos profissionais de saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece e orienta a inclusão das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) na assistência ao tratamento para combater a COVID19. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) começou a implementar a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em 2006 e, atualmente, conta com 29 práticas, entre elas medicina tradicional chinesa/acupuntura, homeopatia, plantas medicinais, fitoterapia, termalismo, reiki, shantala, quiropraxia, meditação, yoga, terapia comunitária, ozonioterapia, entre outras. São muitos os impactos da pandemia na vida dos profissionais de saúde como: medo de se contaminar e aos seus familiares, ansiedade, esgotamento mental e físico, isolamento, sedentarismo devido a quarentena, entre outros, vem causando sofrimento, muitos afastamentos de saúde sobrecarregando a equipe como um todo. As mialgias (dores musculares) são queixas recorrentes nas falas dos profissionais de saúde.
- Ofertar cuidado a saúde para os profissionais de saúde - Garantir acesso para todos os profissionais dos diversos setores da U.B.S. - Reduzir quadro álgico - Reduzir o nível de sofrimento mental e físico
1. Recursos utilizados: sementes/esferas para auriculoterapia, agulhas para acupuntura sistêmica, gua-shá, ventosa, stiper, magneto, eletroacupuntura, reflexologia podal, pinda chinesa, shiatsu, relaxamento e outros. 2. Elaboração de uma agenda interna direcionada para os profissionais de saúde, 3. Agendamento semanal garantindo o acesso e continuidade do tratamento de acordo as demandas 4. Adaptação de um consultório o tornando mais aconchegante e personalizado para realização das PICS 5. Elaboração de uma planilha semanal das queixas principais queixas para qualificar os atendimentos 6. Elaboração de uma planilha de acompanhamento da adesão e frequência dos profissionais 7. Devolutivas e orientações aos profissionais sobre resultados e a importância da manutenção.
Entre os meses de março a julho foram atendidos 60 profissionais com patologias diversificadas tais como: lombalgia, cervicalgia, hérnia discal enxaqueca, alergias, pessoas com dores crônicas / agudas, pânico, depressão, ansiedade, alteração de humor, estresse emocional. Caso 1: Paciente L.S.B.C. 37 anos, passou em avaliação clínica onde sua queixa principal foi algia em região de cervical irradiando até o cóccix, relatou esgotamento físico e mental relacionado a pandemia (sic). Conduta terapêutica: acupuntura sistêmica e auricular, ventosaterapia, gua-sha, shiatsu, alongamentos, técnica respiratória, reflexologia podal, e postura. Realizados 7 atendimentos, L. na segunda sessão relatou melhora parcial no quadro álgico. Da terceira sessão em diante relatou apenas pincelamentos no lugar das dores intensas, e melhora no quadro de ansiedade irritabilidade (sic). Caso 2: Paciente G.C.W. 43 anos em tratamento semanal por conta de um quadro álgico crônico e devido a pandemia precisou ser reavaliada pois apresentou importante estresse emocional, afetando diretamente o relacionamento conjugal, tal situação agrava sua saúde física e mental. Realizados 11 atendimentos com melhora parcial. Conduta terapêutica: acupuntura sistêmica e auricular, shiatsu, orientação postural, stiper, reflexologia podal e sugerido diminuição de peso e acompanhamento multidisciplinar. Em pesquisa de satisfação observamos na maioria dos profissionais melhora nos quadros de dores, ansiedade e pânico.
A avaliação qualitativa de todos os casos atendidos proporcionou uma grande adesão pelos profissionais de saúde. Eles relatam que este espaço é momento de cuidados é principalmente um espaço terapêutico. As Práticas Integrativas e Complementares (PICS) como uma estratégia de cuidado e enfrentamento do COVID19 se tornou uma ferramenta essencial no cuidado tanto para os Profissionais de Saúde, como para toda a população. Esta oferta de cuidado só foi possível devido ao apoio e incentivo SMS DABGC que inclui e recomenda as PICS na rede Municipal de Saúde e principalmente o apoio e incentivo da gestão local da UBS que garantiu o acesso a todos os profissionais.
COVID, Atenção Primaria em Saúde, PICS, NASF, Cuidado para profissionais de Saúde.