Em virtude do decreto aprovado pelo Congresso Nacional, em março de 2020, que decretou o Estado de Pandemia pelo novo coronavirus, onde se fez necessário medidas de isolamento e distanciamento social, para mitigar o nível de contaminação, o município de Parnamirim buscou estratégias para melhor atender a sua população, instituindo em seu território, o serviço de tele-atendimento para o enfrentamento ao COVID-19. Dentre as suas diretrizes, buscou garantir a segurança no atendimento, diminuindo os riscos de contaminação, promover o acesso amplo e igualitário a demanda espontânea e ter um olhar humanizados sob a saúde do trabalhador que nesse momento enfrenta um grande paradigma entre sua vida e seu legado humanitário. Este serviço teve inicio no dia 10 de abril de 2020, onde foi composto por uma equipe multiprofissional, que desenvolveu estratégias de atenção multidisciplinar procurando atender as necessidades de saúde da população.
Este serviço teve como objetivo geral de resgatar os princípios norteadores do sus através do atendimento a população de maneira remota, no solucionamento de dúvidas sobre as manifestações e sintomas do COVID-19, por meio de comunicação acessível minimizar a ida desnecessária aos serviços de saúde, evitando aglomerações, oferecer orientações sobre os exames, as regras de isolamento, o uso de mascaras e demais cuidados, oferecer orientações quanto ao fluxo da atenção dentro da rede de saúde, no território, oferecer suporte psicológico, acolhimento e escuta sensível, e atendimento as necessidades gerais de saúde, não COVID-19, que puderam ser realizadas remotamente.
O tele atendimento COVID-19, foi estruturado no município de Parnamirim/RN, com 261 mil habitantes, localizado na região metropolitana da capital Natal. Como metodologia, a gestão estimulou e desenvolveu capacidades adaptativas dentro de novos arranjos, para manter as ações e serviços em pleno funcionamento sem prejuízo a população. Dentro dessa perspetiva, foram utilizados recursos e espaços já existentes, organizados dentro de uma estrutura que garantiu a segurança da equipe para desenvolver o seu papel de maneira efetiva. O serviço funcionou em regime de plantão de 12h, de domingo a domingo e feriados, composto por equipe multiprofissional. Os números de contato foram divulgados em redes sociais, por meios eletrônicos e de comunicação para toda a população, assim como em toda a rede de atenção por meio de quadros de avisos. Todos os atendimentos foram registrados através de ficha de dados, como histórico de saúde, sinais e sintomas, encaminhamentos, localidade do caso, número de contatos, fatores de risco e comorbidades associadas e outras informações essenciais. O acolhimento e a escuta sensível foram realizados pelo Assistente Social e pelo Psicólogo, posteriormente gerenciado pelo médico da equipe, e dado os encaminhamentos conforme as necessidades do caso. O levantamento dos dados contribuíram para as ações de vigilância, na identificação de potenciais casos de agravos, e na tomada de decisão em tempo hábil e no controle epidemiológico de casos confirmados.
O serviço do tele-atendimento funcionou durante quatro meses onde teve um maior pico nos meses de maio e junho. Os casos foram gerenciados e encaminhados na rede de acordo com o grau de gravidade. O universo total de casos atendidos foi de 722, onde foi realizado uma investigação, por amostragem de forma aleatória, pelas fichas de atendimento. A amostra foi constituída de 108 (14,95%) casos, e classificados numa escala de avaliação como: SIMPLES (sem necessidade de atendimento médico presencial, recuperado no domicílio) LEVE (com necessidade de atendimento médico e uso de medicação, sem hospitalização) GRAVE (com necessidade de atenção hospitalar com internação). Dos 108 casos investigados, 19 foram classificados como leve, 2 como grave e 87 como simples. Também foi investigado o grau de satisfação em relação ao serviço do tele-atendimento, classificando o serviço como BOM, MUITO BOM, EXCELENTE OU RUIM. Dos investigados, 17 classificaram o serviço como BOM, 78 como MUITO BOM, 13 como EXCELENTE. Nenhum dos investigados classificou o serviço como RUIM. Nesse momento de grandes incertezas, mudanças e perdas, é preciso destacar a importância do suporte psicológico que foi realizado, onde o sintoma da falta de ar, característico da COVID-19, pôde ser identificado como um sintoma de ansiedade. Além disso, profissionais da saúde puderam utilizar esse canal de escuta, minimizando os desconfortos provocados pela pandemia, de maneira a acolhê-los dando o suporte necessário.
Conforme foi avaliado pela investigação na amostra, vimos que a maioria dos casos conseguiram ser resolvidos remotamente de acordo com os objetivos do serviço e alinhado com as diretrizes do SUS. Buscou-se atender os seus munícipes nas necessidades básicas de saúde, garantindo a continuidade da atenção, dentro dos recomendações e limites de isolamento, de maneira responsável e igualitária, conforme as orientações do Ministério da saúde. Podemos concluir que o Tele-atendimento Covid-19, no município de Parnamirim, alcançou êxito em suas atividades e como medida de contingenciamento levou a população um canal de comunicação segura, buscando novas estratégias para o combate a pandemia do coronavirus. Estabeleceu parceria com o serviço de vigilância, norteando as ações dentro do território, de acordo com as regiões/foco de números de casos elevados. Cumprindo o seu papel proposto, encerrou suas atividades em 31 de julho em decorrência da baixa procura pela população e respaldada pelos dados estatísticos da vigilância que apresentou queda nos números de casos novos, assim como número de leitos ocupados e óbitos, apresentando níveis de segurança para a população e os serviços de saúde.
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